**Uma mulher desmaia num supermercado — mas o chefe da máfia que a apanha percebe hematomas escondidos e descobre uma verdade que muda tudo**

Histórias interessantes

O homem atendeu o telefone.

“Meu nome é Nikolai Veyer,” disse com calma. “Estou a ligar para informar que a Allara não vai voltar para casa.”

Allara ficou completamente rígida.

Ela não conseguia distinguir as palavras de Bram — apenas a onda abafada da sua fúria.

Nikolai escutava sem piscar.

“Não,” disse ele. “Não vai receber explicações. A partir deste momento, ela está sob a minha proteção. Se a contactar, persegui-la, aproximar-se do local de trabalho ou entrar num raio de cem metros dela, vou considerar isso uma ameaça. Eu trato pessoalmente das ameaças.”

Mais um surto de gritos.

Os olhos de Nikolai permaneceram frios.

“O senhor vai voltar para o seu apartamento. Vai fazer as malas dela e deixá-las à porta. Um dos meus homens vai recolhê-las esta noite. Se faltar alguma coisa ou estiver danificada, eu vou saber.”

Desligou e devolveu o telemóvel.

“O que acabaste de fazer?” — perguntou Allara.

“Tirei-lhe o acesso a ti.”

“Não podes simplesmente…”

“Acabei de o fazer.”

“Ele não é seguro. Ele vai vir atrás de mim.”

“Não.” Nikolai ajoelhou-se. “Homens como Bram são perigosos quando as vítimas estão sozinhas. Tu já não estás sozinha.”

“Eu nem sei quem és.”

“Eu disse-te. Nikolai Veyer.”

Viajaram num Mercedes preto por Boston. Allara sentia-se suspensa entre o alívio e o medo.

“Para onde vamos?”

“Para minha casa. Vais ter um quarto teu e tudo o que precisares.”

“Por quanto tempo?”

“O tempo necessário.”

O penthouse era silencioso, elegante e frio. Uma mulher mais velha, Meera, recebeu-a com calma.

“Pareces precisar de sopa e de descanso,” disse ela.

Allara fechou a porta do quarto e chorou pela primeira vez em meses sem medo.

A recuperação começou com comida, sono e silêncio.

Nikolai aparecia frequentemente, observando-a em silêncio.

“Bram já não é um problema,” disse ele um dia.

“O que isso significa?”

“Significa que ele deixou Boston.”

Com o tempo, Allara começou a viver novamente.

Dormia. Comia. Respirava.

E começou a confiar nele — não porque ele fosse gentil, mas porque era honesto.

Três semanas depois, ele disse:

“Estou apaixonado por ti.”

O mundo parou.

Ele não exigiu nada. Deu-lhe escolha.

Ela ficou.

E beijou-o.

Meses depois, surgiu Silas Crown.

Começou uma guerra que, no dia do casamento, transformou a cerimónia num cerco.

Tiros. Fumo. Caos.

“Sim,” disseram ambos.

E uma explosão interrompeu tudo.

Num bunker, Allara segurava uma arma enquanto a batalha continuava lá fora.

Nikolai foi ferido, mas sobreviveu.

Silas acabou capturado e condenado.

Descobriu-se que Meera tinha sido chantageada — a filha estava em perigo.

Allara ajudou a encontrá-la.

A rapariga foi salva.

Depois disso, Nikolai deixou o mundo do crime.

Com Allara, abriu uma livraria.

E casaram novamente — desta vez sem violência, sem medo.

Mais tarde, Allara engravidou.

Nasceu uma menina: Mira.

“Ela não vai conhecer o meu mundo,” disse Nikolai.

“Porque tem-nos a nós,” respondeu Allara.

E assim, entre livros, silêncio e uma nova vida, tornaram-se família.

Não perfeita.

Não simples.

Mas real.

**FIM**

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