Minha enteada devolveu todos os presentes de aniversário que enviei durante 12 anos — no 13º ano, parei, e uma enorme caixa dela chegou à minha porta. Fiquei pálida quando a abri

Histórias interessantes

**Durante anos, eu me perguntava o que havia feito para que minha enteada me excluísse da vida dela.**

Com o tempo, convenci a mim mesma de que provavelmente jamais descobriria.

Então, certa tarde, uma caixa apareceu na minha sala de estar.

E tudo o que eu acreditava sobre os últimos doze anos desmoronou.

A caixa estava no centro do tapete, como se estivesse viva.

Meu nome estava escrito na parte de cima, com uma letra que eu não via havia mais de uma década.

Alice.

As letras eram delicadas e arredondadas.

Reconheci imediatamente a maneira como ela fazia o A maiúsculo.

Chloe.

Minhas mãos começaram a tremer.

Três dias antes, eu havia tomado uma das decisões mais difíceis da minha vida.

Pela primeira vez em treze anos, não enviei um presente de aniversário para minha enteada.

E agora ela havia enviado algo para mim.

Meu marido, David — pai de Chloe — estava atrás do sofá, encarando o pacote.

Seu rosto havia ficado estranhamente pálido.

— Alice — disse ele baixinho. — Talvez seja melhor você esperar antes de abrir.

Olhei para ele.

— Esperar o quê?

Ele não respondeu.

Aquilo deveria ter me dito tudo.

Mas eu ainda não entendia.

Então deixe-me voltar um pouco no tempo.

Hoje tenho cinquenta e oito anos.

Casei-me com David há doze anos.

Naquela época, eu realmente achava que o amor já havia passado pela minha vida sem parar.

Então David apareceu e me chamou de sua segunda chance.

No nosso pequeno casamento no quintal, ele sussurrou isso no meu cabelo, e eu acreditei nele completamente.

Chloe tinha dezessete anos.

A mãe dela havia falecido alguns anos antes.

E, desde o início, eu entendia uma coisa importante:

Eu não estava ali para substituir a mãe dela.

Nunca quis esse papel.

Eu só queria ter um lugar meu na vida de Chloe.

Uma cadeira à mesa.

Nada além disso.

Mas ser madrasta nunca seria simples.

No começo, porém, Chloe e eu realmente nos dávamos bem.

Eu preparava as comidas de que ela gostava.

Lasanha.

Aquele ridículo macarrão com queijo de caixinha que ela adorava.

Perguntava sobre a escola e os amigos sem interrogá-la.

Dava espaço quando ela queria ficar sozinha.

E, quando queria companhia, eu estava ali.

Às vezes ela ria das minhas péssimas piadas.

Uma vez, chegou até a me perguntar como eu fazia para deixar a massa da torta tão crocante e delicada.

Por algum tempo, achei que ficaríamos bem.

Então alguma coisa mudou.

Quase da noite para o dia, Chloe ficou distante.

Durante o jantar, mal falava comigo.

Evitava ficar sozinha comigo no mesmo cômodo.

Certa noite, enquanto eu e David lavávamos a louça, perguntei:

— A Chloe está bem? Ela mal olhou para mim hoje.

David deu de ombros.

— Ela tem dezessete anos. Escola, garotos, luto. Não leve tudo para o lado pessoal.

— Aconteceu alguma coisa?

— Eu vou conversar com ela.

Esse passou a ser o nosso padrão.

Eu percebia alguma coisa.

Perguntava a David.

Ele dizia que resolveria.

Depois voltava com alguma explicação que, de alguma forma, fazia com que eu me sentisse culpada por ter perguntado.

# **Poucos meses depois do nosso casamento, Chloe foi para a faculdade.**

Dez horas de distância.

Depois, ela parou de voltar para casa.

Nem no Dia de Ação de Graças.

Nem no Natal.

Nem sequer durante as férias de verão.

— Ela conseguiu um emprego no campus — David me disse.

— Durante todo o verão?

— Ela provavelmente precisa do dinheiro, Al. Não faça com que ela se sinta culpada.

Então não fiz.

Ano após ano, dizia a mim mesma que estava respeitando os limites dela.

Enquanto isso, havia coisas que eu percebia, mas escolhia não questionar.

David sempre pegava a correspondência.

Todos os dias.

Fizesse chuva ou sol.

Mesmo quando estava doente.

Certa vez, chegou um cartão de Natal de uma das colegas de faculdade de Chloe.

O envelope já estava aberto.

David disse que o carteiro provavelmente o havia danificado.

Eu acreditei.

Outra vez, pouco antes de Chloe ir para a faculdade, ouvi ela e David discutindo aos gritos na garagem.

Chloe estava chorando.

Eu a ouvi dizer claramente:

— Isso não é justo.

Quando perguntei a David o que havia acontecido, ele disse que estavam discutindo sobre as notas dela.

Mais tarde, disse que tinha alguma coisa a ver com a mudança de curso.

Eu deveria ter percebido que a história havia mudado.

Não percebi.

O telefone dele costumava vibrar tarde da noite.

Sempre que isso acontecia, ele virava a tela para longe de mim.

— Spam — dizia.

Ou:

— É meu irmão.

Eu nunca verificava.

O amor pode tornar uma pessoa confiante.

A culpa pode torná-la ainda mais.

E eu tinha os dois em abundância.

Agora, doze anos depois, eu estava sentada no chão da sala, olhando para uma caixa de Chloe, enquanto meu marido permanecia atrás de mim com uma expressão de pavor.

Passei o dedo por baixo da fita.

— Alice — David disse novamente. — Por favor.

Dessa vez, ignorei.

Mas, para entender por que aquela caixa significava tanto, você também precisa conhecer a história dos aniversários.

Treze deles.

Quando Chloe completou dezoito anos, comprei para ela um delicado colar de ouro com um pequeno pingente de estrela.

Ela costumava desenhar estrelas nos cantos dos cadernos.

Eu mesma embrulhei o presente.

Levei-o aos correios.

E esperei.

Duas semanas depois, o pacote voltou.

**DEVOLVER AO REMETENTE.**

Chorei baixinho na lavanderia para que David não me ouvisse.

Quando Chloe completou vinte e um anos, comprei uma bolsa de couro macio.

Imaginei-a carregando aquela bolsa para sua primeira entrevista de emprego realmente importante.

Também voltou.

Aos vinte e cinco anos, enviei um livro de receitas.

Ela sempre gostou de cozinhar.

Eu me lembrava dos biscoitos que havíamos feito juntas.

Pão de banana.

Um bolo de aniversário torto que tentamos fazer para David.

Aquele pacote também voltou, sem ser aberto.

Finalmente, tentei ligar.

O telefone tocava.

Ela nunca atendia.

Pedi a David que falasse com ela.

Ele disse que havia falado.

— Ela não quer você na vida dela — disse ele certa noite.

Sentei-me na beirada da cama.

— Eu fiz alguma coisa?

— Não, querida.

— Então por que ela me odeia?

— Ela ainda está sofrendo pela morte da mãe. Acha que eu escolhi você no lugar dela.

Aquilo doeu.

Mas a explicação fazia sentido o suficiente para que eu a aceitasse.

Então parei de fazer perguntas.

Mas não parei de enviar presentes.

Um cachecol.

Um diário.

Brincos.

Alguma coisa pequena em cada aniversário.

Todos os anos, eles voltavam.

E todos os anos, eu colocava o pacote ainda fechado na prateleira mais alta do armário.

Talvez no próximo ano.

Essa se tornou minha pequena mentira particular.

Então chegou o décimo terceiro aniversário.

Comprei para Chloe uma moldura de prata.

Embrulhei em papel azul porque azul havia sido sua cor favorita quando ela tinha dezessete anos.

Enquanto estava sentada no chão do quarto segurando a moldura, alguma coisa dentro de mim finalmente desistiu.

Percebi que nem sequer sabia se ela ainda gostava de azul.

Eu mal conhecia a mulher que ela havia se tornado.

Ela tinha trinta anos.

Era uma estranha.

Sussurrei para mim mesma:

— Ela está dizendo há doze anos que não quer isso. Você precisa ouvi-la.

Então, lentamente, desembrulhei a moldura.

Coloquei-a no armário junto com todos os outros presentes que haviam voltado.

Pela primeira vez, não enviei nada.

Não contei a David.

Simplesmente desci e preparei o jantar.

Três dias se passaram.

Estranhamente, eu me sentia mais leve.

Então a campainha tocou.

Um entregador estava parado na porta.

— A senhora é Alice?

— Sim.

— Tenho um pacote pesado para a senhora.

Ele descarregou uma enorme caixa de papelão.

Foi preciso que ele e David a levassem para dentro.

Então vi o nome do remetente.

**Chloe.**

Por um segundo, parei de respirar.

Por que Chloe me enviaria alguma coisa?

Havia um bilhete preso na parte de cima.

Abri.

Então li em voz alta:

— “Talvez o papai finalmente conte por que eu fui embora. Nunca foi por sua causa, Alice. Olhe dentro e você vai entender.”

Ao meu lado, David ficou completamente imóvel.

— David — falei lentamente. — O que ela quer dizer?

— Ela está com raiva.

— De quê?

— Você sabe como a Chloe é.

Olhei para ele.

# **— Não. Eu não sei como ela é. Esse é exatamente o problema.**

Então ele disse algo que fez meu estômago revirar.

— Não abra a caixa.

Olhei para o rosto dele.

Toda a cor havia desaparecido.

— Eu vou abrir.

Ele não disse nada.

— Você pode me ajudar ou pode sair.

Por fim, ele me ajudou.

Levantei a tampa.

Dentro havia doze presentes embrulhados.

Em cada um estava escrito meu nome, com a letra de Chloe.

Debaixo deles havia cartões.

Doze cartões de aniversário.

Um para cada aniversário que eu havia celebrado durante os anos em que, supostamente, nós nos odiávamos.

Todos eram endereçados simplesmente a:

**Alice.**

Abri o primeiro.

Chloe me agradecia pela lasanha que eu costumava fazer aos domingos.

Mencionava o abraço que eu lhe dera no nosso casamento.

Ela havia escrito:

“Espero que você esteja bem.”

Abri outro.

Ela o havia escrito quando tinha vinte e dois anos.

Pedia desculpas por ter sido distante quando foi para a faculdade.

Depois perguntava se talvez nós duas pudéssemos conversar.

Eu nunca havia recebido aquele cartão.

Nenhum deles.

Todos haviam sido devolvidos.

No fundo da caixa havia um maço de cartas preso com um elástico.

Endereços de faculdade.

Denver.

Portland.

Casas diferentes.

Anos diferentes.

Todas escritas para mim.

Todas carimbadas:

**DEVOLVER AO REMETENTE.**

Então percebi uma coisa.

A letra nas marcações de devolução.

Eu a conhecia.

Havia visto aquela letra em listas de compras e cartões de aniversário durante doze anos.

Era a letra de David.

Levantei um dos envelopes.

Minhas mãos haviam parado de tremer.

Eu já estava além do tremor.

— Foi você quem devolveu tudo.

David se deixou cair no sofá.

— Alice…

— Você devolveu.

Ele não respondeu.

— Este é o meu nome. Nosso endereço. Chloe escreveu para mim, e você devolveu tudo.

— Alice, escute—

— Diga.

Ele olhou para o chão.

Finalmente, sussurrou:

— Eu estava com medo.

— De quê?

— De perder você.

Fiquei olhando para ele.

— E de perdê-la.

— David.

A voz dele falhou.

— Eu achei que vocês duas ficariam mais próximas uma da outra do que qualquer uma de vocês era de mim.

A sala ficou em silêncio.

Eu sequer conseguia processar o que ele acabara de admitir.

— Você me disse que ela me odiava.

— Eu sei.

— Você disse que ela não suportava ter minha presença naquela casa.

— Eu sei.

— Você disse que vocês tinham tido uma grande discussão.

David desviou o olhar.

— Na verdade, não houve nenhuma discussão daquele tipo.

Meu estômago embrulhou.

— O que você fez?

Ele cobriu o rosto por um momento.

Então finalmente disse:

— Eu disse à Chloe que você a achava cansativa.

Fiquei olhando para ele.

— O quê?

— Eu disse que você queria a casa só para vocês dois.

Minha voz baixou.

— Você disse a uma garota de dezessete anos, que já havia perdido a mãe, que a nova esposa do pai não a queria por perto?

— Eu entrei em pânico.

— Ela era uma criança.

— Eu sei.

— E depois você me disse que ela me odiava.

— Achei que aquilo fosse passar.

— Como?

— Achei que, em algum momento, eu conseguiria consertar tudo.

— Mas não conseguiu.

— Não.

— Em vez disso, todos os anos você devolvia as cartas dela.

David ficou em silêncio.

— E também devolvia meus presentes, não é?

O silêncio dele respondeu.

Sentei-me no tapete ao lado da caixa.

Treze anos.

Treze aniversários.

Treze anos acreditando que eu havia decepcionado uma garota que eu amava.

— Por quê agora? — perguntei.

David finalmente olhou para mim.

— Chloe me ligou na semana passada.

— Por quê?

Ele hesitou.

Então explicou.

Algumas semanas antes, encontrei nossa vizinha Margaret no supermercado.

Ela perguntou sobre Chloe.

Sem pensar, eu a chamei de “minha menina”.

A filha de Margaret, Maya, era amiga de Chloe.

De alguma forma, aquele comentário chegou até ela.

E Maya contou outra coisa a Chloe.

Que, durante anos, eu havia continuado perguntando por ela.

Que eu nunca a odiei.

Que sentia falta dela.

# **Chloe percebeu que havia alguma coisa errada.**

Ela ligou para David.

E, finalmente, enviou a caixa.

Olhei para a pilha de cartões no meu colo.

Aniversários que nunca comemoramos juntas.

Conversas que nunca tivemos.

Anos que nenhuma de nós poderia recuperar.

Então me levantei.

— Me dê o número de telefone da Chloe.

David hesitou.

— Alice, talvez devêssemos—

— O verdadeiro.

Ele parou.

— Não o número que você disse que havia sido desativado.

Ele sabia que não havia mais nada a esconder.

Pegou o celular.

Rolou a tela.

Então leu o número em voz alta.

— Saia da sala — eu disse.

— Alice—

— Preciso fazer essa ligação sozinha.

Ele saiu.

Disquei o número.

Minhas mãos tremiam tanto que quase digitei o número errado.

O telefone tocou uma vez.

Duas.

Então uma voz cautelosa atendeu.

— Alô?

Eu não conseguia falar.

— Alô?

Finalmente encontrei minha voz.

— Sou eu.

Silêncio.

— Chloe, querida. É a Alice.

Ela prendeu a respiração.

Então disse algo que partiu meu coração.

— Eu achei que você me odiasse.

Meus olhos se encheram de lágrimas.

— Eu também achei que você me odiasse.

Houve uma longa pausa.

— Ele me disse que você não queria que eu morasse lá — sussurrou. — Papai quase nunca falava de você. Achei que fosse porque você tinha pedido para ele não falar.

— Ele me disse que você não suportava ter minha presença em casa.

Então Chloe começou a chorar.

E eu também.

— Eu amava sua lasanha de domingo — disse ela entre lágrimas. — Eu adorava quando você ria das minhas piadas idiotas.

— Eu ainda tenho o livro de receitas que comprei para você.

— O quê?

— Guardei todos os seus presentes. Todos os anos.

Ela chorou ainda mais.

— Eu escrevi para você todos os anos.

— Agora eu sei.

Conversamos por um tempo que pareceu ser minutos e horas ao mesmo tempo.

Então Chloe perguntou:

— Posso ir aí neste fim de semana?

— Sim.

Não hesitei nem por um segundo.

— Sim. Por favor.

Quando David voltou para a sala, eu ainda estava sentada no sofá.

— Alice, sinto muito — disse ele. — Eu nunca quis que—

— Você roubou mais de uma década de nós.

Ele baixou os olhos.

— E fez isso porque tinha mais medo de ficar em segundo plano do que de perder nós duas completamente.

Ele não discutiu.

— Eu não sei mais o que é o nosso casamento — falei. — Mas não vou tomar essa decisão hoje.

Duas semanas depois, um carro entrou na nossa garagem.

Era o segundo fim de semana consecutivo em que Chloe vinha me visitar.

Saí.

Minha enteada saiu do carro segurando alguma coisa contra o peito.

O livro de receitas.

O mesmo que eu havia comprado para um dos aniversários dela.

— Eu trouxe — disse ela.

Sorri.

— Pensei que talvez pudéssemos preparar alguma coisa juntas.

Abri a porta.

E entramos na cozinha lado a lado.

Durante doze anos, pensei que o silêncio entre nós fosse um muro que Chloe havia construído.

Não era.

Era uma porta que David havia trancado pelos dois lados.

E tudo o que foi preciso para finalmente abri-la foi o presente de aniversário que escolhi não enviar.

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