A chuva e o homem que todos temiam
A chuva tinha acabado de começar quando um SUV preto parou em frente a uma velha mercearia.
Rocco Moretti saiu do carro, puxando o casaco mais firme enquanto pegava o telefone. Ele tinha vindo para fazer uma rápida ligação antes de voltar para a cidade.

Mas antes que pudesse discar, uma pequena voz o deteve.
“Senhor… senhor, você pode comprar minha bicicleta?”
Rocco se virou.
A poucos metros de distância, uma garotinha segurava uma bicicleta rosa enferrujada. A chuva atravessava sua jaqueta fina, e seus sapatos estavam gastos nas bordas. Seu rosto estava pálido e seus olhos carregavam um cansaço que nenhuma criança deveria ter.
Rocco franziu levemente a testa.
“O que você está fazendo aqui sozinha?”
### Uma criança vendendo seu último tesouro
A menina empurrou a bicicleta em direção a ele com ambas as mãos.
“Por favor,” disse baixinho. “Mamãe não come há dias. Não posso vender as coisas de casa, então estou vendendo minha bicicleta.”
Algo apertou o peito de Rocco.
As crianças geralmente o evitavam.
Os adultos tinham medo dele.
Mas o desespero havia levado essa garotinha a se aproximar de um homem como ele sem hesitar.
“Há quanto tempo ela não come?” ele perguntou.
A menina hesitou antes de responder.
“Desde que aqueles homens chegaram.”
Rocco estreitou os olhos.
“Que homens?”
### Os homens que levaram tudo
A menina olhou ao redor nervosamente, como se tivesse medo de que alguém pudesse estar ouvindo.
“Aqueles que diziam que mamãe devia dinheiro,” sussurrou. “Levaram tudo.”
Sua voz diminuía a cada palavra.
“Móveis. Roupas. Eles até levaram o berço do meu irmãozinho.”
O maxilar de Rocco se fechou.
Ele já tinha ouvido histórias parecidas: agiotas, extorsionários, criminosos de rua. Mas quando a menina levantou a manga e mostrou hematomas em seu braço fino, algo mais frio do que raiva percorreu-o.
“Eles disseram para a mamãe não contar a ninguém,” ela acrescentou suavemente.
Então olhou para ele novamente.
“Mas eu reconheci um deles.”
Rocco se inclinou, sua voz calma, mas perigosa.
“Diga-me quem.”
### Um nome que deveria protegê-los
As pequenas mãos da menina tremiam enquanto ela falava.
“Era um homem da sua gangue, senhor.”
Por um momento, a chuva foi o único som entre eles.
“Minha mamãe chorava,” ela continuou. “Ela disse que a máfia levou tudo de nós.”
Rocco congelou.
Não por culpa.
Mas ao perceber que alguém ousara usar seu nome para explorar uma mãe faminta e seus filhos.
Ele se levantou lentamente, com a chuva pingando de seu casaco.
“Onde está sua mãe agora?” ele perguntou.
“Em casa,” sussurrou a menina. “Ela está fraca demais para se levantar.”
Rocco estendeu a mão e deu a ela as chaves de seu SUV.
“Entre.”
Sua voz era baixa, mas havia firmeza por trás dela.
Porque quem quer que tivesse machucado aquela criança — quem quer que tivesse roubado deles e se escondido atrás do seu nome — estava prestes a aprender o que realmente significa temer Rocco Moretti.







