Na festa de piscina do terceiro aniversário da minha filha, ela apontou para a barriga da minha madrasta e disse: “O papai está aí dentro.” Eu ri… até perceber para o que ela realmente estava apontando.

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Todos caíram na gargalhada quando minha filha de três anos apontou para a barriga da minha madrasta e disse, com toda a convicção, que o papai estava lá dentro. Eu também ri. Mas, de repente, ela começou a chorar, segurou meu braço e me obrigou a olhar com mais atenção. Foi então que notei uma pequena marca ao lado do maiô de Clara… e vi meu marido empalidecer como giz.

Ao meio-dia, o chão da cozinha já estava coberto por pegadas molhadas, e uma única sandália cor-de-rosa boiava na parte mais funda da piscina.

Ariel estava parada à beira da piscina usando óculos de natação roxos e uma coroa de papel que já começava a amolecer nas pontas.

Ela havia se recusado a tirá-la antes de entrar na água.

— As rainhas nunca tiram a coroa para nadar — declarou com toda a certeza de uma criança de três anos.

Glen preparava cachorros-quentes na churrasqueira, debaixo do bordo. A cada poucos minutos, levantava a tampa e lançava um olhar irritado para a fumaça, como se a churrasqueira tivesse decidido traí-lo.

Eu carregava uma travessa de melancia em direção ao terraço quando minha madrasta, Clara, chegou.

Ela parou do lado de fora do portão.

Era exatamente o jeito dela.

Raramente entrava em qualquer lugar sem antes verificar se sua presença seria realmente bem-vinda.

Usava uma saída de praia branca sobre um maiô simples e segurava um presente cuidadosamente embrulhado debaixo do braço.

— Você chegou atrasada — gritou meu pai do jardim.

Clara apenas sorriu.

Nunca dava explicações.

Quinze anos antes, ela havia se casado com meu pai, dois anos depois da morte da minha mãe.

Naquela época eu tinha dezessete anos e estava revoltada com o mundo inteiro.

Principalmente com qualquer mulher que ousasse ocupar o lugar da minha mãe.

Clara nunca discutiu comigo.

Ela simplesmente aprendeu a agir com extremo cuidado.

Nunca se sentava na cadeira favorita da minha mãe.

Nunca mudou as cortinas da casa.

Mesmo depois de anos morando ali, ainda pedia permissão antes de mexer em qualquer objeto.

Naquela época, interpretei toda aquela cautela como frieza.

Com o passar dos anos, a distância acabou se tornando a linguagem da nossa família.

Mesmo assim, ela veio ao aniversário de Ariel.

E isso significava alguma coisa.

Ariel correu até ela de braços abertos.

Clara se abaixou para abraçá-la e entregou o presente.

Dentro da caixa havia um delicado conjunto de chá de madeira decorado com pequenos morangos.

Os olhos de Ariel brilharam.

— Vovó, podemos tomar chá agora?

— Depois do bolo — respondeu Clara com um sorriso.

Ariel pensou por alguns segundos, como se estivesse avaliando uma enorme injustiça, e acabou concordando, ainda que contrariada.

Nas duas horas seguintes, a festa aconteceu exatamente como qualquer festa infantil.

Barulhenta.

Melada.

E um pouco caótica.

As crianças da pré-escola corriam pelo quintal disparando pistolas de água umas nas outras.

Meu pai adormeceu debaixo do guarda-sol.

Glen queimou a primeira leva de cachorros-quentes e culpou o vento.

Clara permaneceu discretamente à margem de toda a movimentação.

Reabastecia os copos.

Recolhia os pratos de papel.

Amarrava novamente os balões que o vento soltava da cerca.

Quando perguntei se ela queria entrar na piscina, ela olhou para a água cheia de crianças.

— Talvez mais tarde.

— Mas você já está de maiô! — falei, sorrindo.

Ela retribuiu com um sorriso discreto.

— Estar de maiô não significa que eu tenha coragem de mergulhar.

Achei que ela estivesse falando apenas da bagunça das crianças espirrando água por todos os lados.

Eu não fazia ideia do que ela realmente queria dizer.

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