Quando abri a porta, um entregador estava parado atrás de uma enorme parede de flores douradas.
“Amber?”
“Sim.”
“Estas são para a senhora.”

O buquê era tão pesado que precisei segurá-lo com os dois braços. As rosas eram perfeitas, com pétalas brilhando sob a luz da tarde.
“Alguém realmente quis impressionar você”, disse o entregador.
Procurei entre as flores por um cartão.
Não havia nenhum.
“Nenhuma mensagem?”
Ele verificou a pequena etiqueta da floricultura.
“Apenas o seu nome.”
No começo, eu sorri.
Daniel nunca foi bom com mensagens românticas. Uma vez, ele me enviou um colar sem nenhum cartão e depois disse que a joia falava por si mesma. Depois de dezoito anos de casamento, eu conhecia a maneira silenciosa dele de demonstrar carinho.
Levei as rosas para a sala de jantar e coloquei o buquê no centro da mesa. Por alguns momentos, parecia que aquelas flores tinham transformado completamente a casa.
Então uma sensação de desconforto começou a crescer dentro de mim.
Daniel sabia que eu amava rosas brancas.
Eu carreguei rosas brancas no nosso casamento. Ele comprou rosas brancas para mim depois da morte da minha mãe. Elas decoraram nossa mesa no nosso décimo quinto aniversário de casamento.
Ele jamais teria escolhido amarelas.
Foi então que notei o número impresso na etiqueta da floricultura.
Exatamente cem.
Não noventa e nove.
Não cento e uma.
Daniel era atencioso, mas não era o tipo de pessoa que fazia gestos exagerados. Não havia aniversário, data comemorativa ou ocasião especial.
Liguei para ele.
O telefone tocou até cair na caixa postal.
Enviei uma mensagem.
“Foi você que me mandou flores?”
Nenhuma resposta.
Dez minutos se passaram.
Depois vinte.
O buquê já não parecia romântico. Parecia estranho, cuidadosamente planejado, como se tivesse sido colocado dentro da minha casa por algum motivo específico.
Andei ao redor da mesa, observando o arranjo. As rosas estavam organizadas em dez fileiras perfeitas de dez flores.
Perto do centro, algumas rosas estavam mais baixas do que as outras.
Aproximei-me.
Uma rosa tinha uma pequena mancha vermelha escondida sob uma pétala.
Pensei que fosse apenas uma imperfeição natural, até encontrar outra.
E depois uma terceira.
Exatamente três rosas tinham sido marcadas secretamente com vermelho.
Minhas mãos começaram a tremer.
Eu já tinha visto aquele padrão antes.
Anos atrás, meu pai, um detetive da divisão de homicídios, havia mencionado um caso não solucionado envolvendo flores. Ele nunca contou todos os detalhes, mas eu me lembrava dele sentado na varanda tarde da noite, olhando para a escuridão.
“Alguns monstros não deixam impressões digitais”, ele havia dito. “Eles deixam símbolos.”
Peguei meu telefone.
Dessa vez, liguei para a polícia.
O atendente perguntou se eu estava em perigo imediato.
“Eu não sei”, admiti. “Mas o buquê tem cem rosas amarelas e três delas estão marcadas.”
Dois policiais chegaram em menos de uma hora. Eles examinaram as flores educadamente, claramente imaginando se eu estava assustada por causa de um simples erro inocente.
Então um sedã escuro entrou na garagem.
Um detetive de cabelos grisalhos chamado Kellan entrou na casa. Quando mencionei o nome do meu pai, sua expressão mudou.
“Eu trabalhei com ele”, disse.
Kellan aproximou-se do buquê.
No instante em que viu as três marcas vermelhas, seu rosto perdeu a cor.
“Protejam a casa”, ordenou.
Um dos policiais pareceu confuso.
“Senhor?”
“Agora.”
Segurei firme o encosto de uma cadeira.
“O senhor reconhece essas flores.”
Kellan olhou diretamente para mim.
“Vinte e dois anos atrás, três mulheres desapareceram. Antes de cada desaparecimento, a vítima recebeu exatamente cem rosas amarelas.”
“E as marcas vermelhas?”
“Três flores marcadas todas as vezes.”
Meu estômago se revirou.
Kellan explicou que meu pai acreditava que aquele número representava uma conclusão — um ciclo final, uma última despedida.
Aquelas flores não eram um presente.
Eram um aviso.







