**Meu filho de 5 anos apontou para uma mulher no supermercado e disse: “Essa é a mulher que vai à nossa casa quando você está no trabalho”**

Histórias interessantes

O filho pequeno de uma mulher revelou sem querer que uma desconhecida misteriosa estava visitando o quarto no andar de cima da casa enquanto ela estava trabalhando. Convencida de que o marido escondia um caso, ela decidiu descobrir a verdade. Mas o que encontrou era algo completamente diferente do que imaginava.

A casa estava silenciosa enquanto eu estava aos pés da nossa cama, dobrando uma pilha de pequenas camisetas do Leo.

Em cima da cômoda, o lenço de seda da minha mãe estava enrolado de qualquer jeito, ainda carregando o leve cheiro do seu perfume de jasmim, mesmo três meses depois de termos realizado o funeral.

Antes que eu pudesse me impedir, peguei o lenço e o levei ao rosto, respirando profundamente.

— Mamãe, você está chorando de novo?

Leo estava parado na porta usando meias diferentes: uma azul e outra listrada. Ele segurava uma caixinha de suco como se fosse um grande prêmio.

— Não, meu amor. Só estou sentindo o cheiro da vovó.

— A vovó cheira a flores.

— Sim, ela cheirava.

Ele entrou no quarto com seus passinhos e subiu na cama.

Foi então que percebi novamente.

Uma mancha de tinta prateada na lateral do seu polegar, seca e descascando, e outra marca endurecida perto do cotovelo.

Eu tinha certeza de que aquilo não estava ali quando dei banho nele na noite anterior.

— Leo, o que é isso?

— Tinta.

— Eu sei que é tinta. De onde veio?

— Da aula de arte — respondeu Mark do corredor.

Ele apareceu atrás de Leo com uma xícara de café em uma mão e o celular na outra.

— A professora está fazendo um projeto sobre a galáxia esta semana. Estrelas, planetas, essas coisas.

Então ele me deu aquele sorriso.

Pequeno.

Reservado.

Com os cantos da boca levemente curvados, como se estivesse segurando algo que não queria deixar escapar.

— Parece difícil de tirar. Não sai no banho?

— Você sabe como ele é na banheira. Ele joga água para todos os lados, menos nele mesmo.

— Eu lavei! — Leo gritou antes de pular da cama e correr para baixo.

Mark se aproximou e beijou minha testa. Um beijo rápido e carinhoso.

— Você parece cansada, Ket.

— Eu estou bem.

— Nosso aniversário é daqui a três dias. Dez anos. Vamos fazer alguma coisa ou você vai continuar fingindo que esqueceu?

— Eu não esqueci.

— Ainda bem.

Ele olhou novamente para o celular, mantendo aquele mesmo sorriso suave, e então o colocou no bolso de trás da calça antes que eu pudesse ver a tela.

— Preciso sair por uma hora — disse ele. — Tenho uma coisa para resolver.

— Numa quarta-feira de manhã? Você não deveria estar trabalhando?

— É algo chato. Eu prometo.

Fiquei olhando enquanto ele saía e disse a mim mesma que estava sendo ridícula.

O luto fazia coisas estranhas com as pessoas.

Minha mãe costumava dizer que a desconfiança era apenas o amor sem ter onde pousar.

E ultimamente eu sentia que o meu amor não tinha mais lugar nenhum para ir.

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