Arkadi andava de um lado para o outro no amplo escritório como uma fera selvagem enjaulada, incapaz de encontrar paz. Tudo aconteceu ao mesmo tempo, como se alguma força superior decidisse testá-lo. Como se zombando dele, a Lei de Murphy mostrou novamente sua face cruel — tudo o que podia dar errado, deu. E no pior momento possível.

Apenas uma semana antes, ele havia terminado com Alisa, com quem viveu por três anos. Não era apenas um namoro — moravam juntos, dividiam o teto, a comida, o cotidiano… À primeira vista, parecia amor verdadeiro, ou pelo menos uma parceria sólida. Ela era jovem, bonita, com aparência impecável — como uma modelo de capa de revista. Para um empresário do nível dele, uma companheira assim parecia ideal. Pelo menos, era o que ele achava antes. Agora via que estava errado.
A beleza dela se revelou uma embalagem vazia. Por dentro, não havia inteligência, nem interesse por livros ou desenvolvimento pessoal. Talvez não fosse surpresa — metade dos empresários que ele conhecia também se cercavam de mulheres do mesmo tipo: belas, mas superficiais. Poucos podiam se orgulhar de ter esposas que pensassem estrategicamente e os ajudassem nos negócios. Arkadi não teve essa sorte.
Mas isso nem era o pior. Descobriu que Alisa não era apenas fútil, mas também traiçoeira. Enquanto ele trabalhava até a exaustão para sustentar a vida deles, ela buscava consolo nos braços do motorista. Inacreditável como alguém podia ser tão egoísta e sem princípios. Ele pensou em puni-los, mas logo percebeu que os tempos haviam mudado. Limitou-se a expulsá-los da cidade, dizendo: «Se eu ver vocês de novo, não responderei por mim». Mas a dor ainda queimava dentro dele.
E hoje, sem sequer ter se recuperado dessa tragédia pessoal, seu negócio enfrentava uma ameaça real. O banco que ele construíra ao longo dos anos estava sendo atacado por concorrentes que queriam engoli-lo. Embora a estrutura fosse sólida, sem novos investimentos, tudo podia desmoronar. As perdas seriam inevitáveis — e possivelmente catastróficas.
E justo hoje — HOJE! — estava marcada a reunião com potenciais investidores. Um momento decisivo. Mas surgiu um problema: o principal investidor, Miguel, era fanático por valores familiares. Se Arkadi aparecesse sozinho, o acordo estaria perdido. A exigência era clara: ele devia comparecer com uma parceira — de preferência romântica ou ao menos convincente. Sem isso, nada de confiança, nada de parceria.
Para Arkadi, foi um golpe. Quem levar? Passou em revista todas as mulheres que conhecia — nenhuma servia. Mesmo que aceitassem, depois seria difícil se livrar delas — o dinheiro tornava qualquer homem atraente demais aos olhos delas. Ele precisava de uma solução temporária. Uma atuação por algumas horas. Sem compromissos, sem consequências.
Olhou o relógio — quase cinco da tarde. Hora de agir. No escritório, quase todos haviam ido embora. Saiu para o salão principal: duas operadoras, ambas acima dos quarenta, rostos cansados, sobrecarregadas com família e tarefas. Na contabilidade — Anna Fiódorovna, experiente, mas idosa. Quem mais?… Ah, a faxineira!
A ideia lhe pareceu absurda. Pedir ajuda à mulher que limpa o escritório? Mas não havia outra opção. Voltando ao gabinete, estava quase sem esperança quando o telefone vibrou. Era Kirill — amigo antigo e chefe da segurança.
— Oi! Já encontrou alguém?
— Não, droga. Não tem ninguém.
— Que pena. Parece que o filho do Miguel… bem, você sabe… escolheu outro caminho.
— E daí?
— Agora o pai é radicalmente contra relacionamentos «diferentes». Precisa ser homem e mulher. Pelo menos fingindo ser um casal.
— É cada coisa…
— Arkadi, não subestime isso. Esse homem pode te levar pro topo. Você vai esquecer todos os problemas.
— Eu sei! Mas o que fazer?!
— Você tem três horas. Encontre alguém. Pague. Resolve!
Arkadi jogou o telefone na mesa, desorientado. O que fazer? Onde achar uma mulher tão rápido?
Saiu do gabinete e quase esbarrou na faxineira, que estava terminando o serviço.
— Qual é o seu nome?
— Lília…
— Vem comigo. Rápido!
Entraram no gabinete.
— Tire o lenço.
Lília obedeceu. Uma longa trança escorregou por seus ombros. Arkadi se surpreendeu — ela era linda.
— Vire-se.
Ela obedeceu, assustada. Tinha um corpo elegante e um rosto inteligente e pensativo.
— Quer ganhar um mês de salário em uma noite?
Lília corou:
— O que pensa que eu sou?!
— Calma! É outra coisa. Preciso de uma mulher para fingir ser minha namorada numa reunião. Quanto melhor a atuação, mais você ganha. Depois está livre.
— Só isso?
— Só isso. Depois, adeus.
— Mas olha pra mim! – ela apontou o agasalho esportivo.
— Vamos arrumar tudo. Roupas, cabelo, maquiagem — sem problemas. Topa?
Ela assentiu. Arkadi ligou para Kirill.
— Kirill, vem buscar a Lília. Vocês têm duas horas pra transformá-la numa dama. Salão de beleza, tudo incluso.
— Deixa comigo! A irmã tem um salão, vamos direto pra lá.
Dez minutos depois, o gabinete estava vazio. Arkadi mergulhou nos documentos, concentrado. O tempo voou.
Só percebeu o quanto se passou quando ouviu a porta ranger e a voz de Kirill:
— Onde você achou essa joia?
Arkadi se virou e ficou sem palavras. Diante dele estava outra Lília. Cabelos ondulados até a cintura. Um vestido azul escuro, elegante, deixando um ombro à mostra. Os olhos brilhavam com profundidade.
— Quem é?
— Como assim quem? É a Lília!
— Não pode ser… Vamos. Te explico tudo no carro. Mas, por favor, fale pouco e tente não chamar atenção.
No caminho, Arkadi explicou:
— Diga que é minha noiva. Estamos esperando a avó vir do exterior para marcar a data.
— Sua avó?
— Não, a sua. Melhor assim. Só não fale muito.
Kirill, dirigindo, perguntou:
— Lília, é casada?
— Não. Estudo.
— E trabalha?
— Claro.
— E faz o quê…? Ah, esquece. Tem uma noite livre? Cinema, talvez?
Lília sorriu:
— Estou em época de provas. Veremos.
Arkadi se irritou. Por que Kirill estava flertando? Disse seco:
— Kirill, olho na estrada!
— Sim, chefe!
Arkadi odiava ser chamado assim.
No restaurante, ele se preocupou: será que Lília sabe etiqueta? Mas já era tarde para dúvidas.
Os italianos já esperavam. Após cumprimentos, sentaram-se. Miguel, o investidor, olhou para Lília e disse pelo tradutor:
— Você é incrivelmente linda! É raro ver beleza natural entre tantas artificiais.
— Obrigada. O senhor é muito gentil.
— Eu que agradeço. Arkadi, você tem muita sorte!
Arkadi ficou tenso. Observava cada gesto da moça, mas ela se portava com naturalidade, graça e segurança.
Começou a parte comercial. Miguel falou em italiano, sem permitir tradução. Arkadi não entendia, mas notou o clima azedar.
Lília interveio, baixinho:
— Desculpe-nos… especialmente meu noivo. Fui criada com rigor. Peço que ele não demonstre afeto em público. Sinto-me desconfortável…
— Você fala italiano?
— Sim. Mas nunca contei a Arkadi. Homens não gostam de mulheres que sabem mais.
— Você é maravilhosa! E acaba de ajudar seu noivo a fechar o contrato. Pelo futuro de vocês!
Miguel estendeu a mão. Contrato assinado. Arkadi percebeu que Lília salvou tudo, embora não soubesse exatamente como.
No caminho de volta, ele perguntou:
— O que você disse?
— Que você evita demonstrações públicas por minha causa. Por respeito à minha família rígida.
— Então… você me salvou?
— Talvez.
Na casa dela, Arkadi lhe deu muito mais do que o combinado. Ela se espantou.
— Isso é demais!
— Está certo. Sem você… Agora posso te abraçar?
Ele a abraçou, mas exagerou. Ela se afastou e deu-lhe um tapa.
— Isso não estava no acordo!
E foi embora, deixando Arkadi confuso.
No dia seguinte, ele apareceu com um médico. Pagou o tratamento da mãe dela no melhor centro da cidade.
— Muito obrigada! Nunca conseguiríamos isso sozinhas!
— Lília, vamos viajar? Estação de esqui? Prometo: quartos separados. Só descanso. Faz tempo que não relaxo com uma mulher inteligente.
— Sempre sonhei esquiar no verão…
Um ano depois, eles se casaram.







