Estou com 39 semanas de gravidez e tentava sorrir, apesar da dor e do cansaço, no jantar do aniversário do meu marido na semana passada. Então ele se virou para mim e disse algo que me fez pegar a mão da minha filha e sair. Nunca vou esquecer aquela noite. Tenho certeza que ninguém na família vai.

Meu nome é Catherine, mas todo mundo me chama de Cathy. Tenho 38 anos e estou com 39 semanas de gravidez do meu segundo filho. O bebê pode nascer a qualquer dia.
Minha barriga está tão esticada que me sinto como um balão prestes a estourar. Cada passo manda dores intensas pelas minhas pernas. Dormir? O que é isso? Não tenho uma noite de sono completa há semanas.
Já temos a Zoey. Ela tem quatro anos, cheia de rabos de cavalo e perguntas sem fim. Mas essa gravidez tem sido diferente. Mais difícil, sinceramente. O médico diz que é porque tenho mais de 35 anos. Eles chamam de gravidez de alto risco.
— Cathy, você precisa descansar — disse o Dr. Smith na semana passada. — Descanso é crucial agora.
Descanso. Claro. Diga isso para o Alan.
Meu marido foi a exatamente uma consulta de ultrassom. Uma… de dezenas. Enquanto eu fui a todos os exames, a cada consulta, a cada momento de preocupação sozinha.
— Tenho que trabalhar, Cath — ele sempre diz. — Alguém tem que pagar as contas.
Mas nos finais de semana? Ele também trabalha. Estava voluntariamente me deixando correr atrás de uma criança de quatro anos enquanto minhas costas gritavam e meus pés inchavam feito balões.
Há meses imploro para que ele ajude no quartinho do bebê. Coisas simples, sabe? Mover caixas. Pendurar cortinas. Montar o berço.
— Vou fazer isso — ele prometia. Toda. Santa. Vez.
O quartinho ainda está pela metade. Caixas espalhadas por todo lado. Sem cortinas. E o berço encostado na parede, como um pensamento esquecido.
— Quando vai terminar isso? — perguntei duas semanas atrás, esfregando minha lombar dolorida.
— Logo, Cath. Poxa, você está sempre reclamando.
Reclamando? Claro.
Na terça-feira passada foi o aniversário de 39 anos do Alan. A irmã dele, Kelly, ligou de manhã.
— Quero fazer uma festinha lá em casa. Nada chique. Só um jantar em família. Você, Alan, Zoey, mamãe, papai e meu namorado, Jake.
Parece bom. Pensei que talvez pudéssemos ter uma noite tranquila juntos.
— Parece ótimo, Kelly. Obrigada.
Passei a tarde me arrumando. Bem, tão arrumada quanto uma mulher que parece ter engolido uma melancia. Coloquei meu vestido de maternidade mais bonito. Aquele antigo que costumava fazer o Alan sorrir quando estava grávida do nosso primeiro filho.
Ele nem notou.
Chegamos ao apartamento da Kelly por volta das seis. O cheiro de frango assado estava no ar. Jazz suave tocava nas caixas de som. Velas tremeluziam na mesa de jantar. Era um paraíso.
— Feliz aniversário, filho! — Grace, mãe do Alan, o abraçou apertado. Ela sempre foi gentil comigo. É mais mãe do que a minha, na verdade.
— Obrigado, mãe. Está ótimo, Kel.
O jantar começou bem. Kelly preparou todos os pratos favoritos do Alan: frango assado com ervas, purê de batata, caçarola de vagem. O bolo de aniversário estava no balcão, chocolate com cobertura de baunilha.
Zoey tagarelava sobre seu dia na pré-escola. Grace perguntou sobre minha gravidez. Jake contou histórias engraçadas do trabalho no corpo de bombeiros.
Tentei ignorar a pressão constante na minha pelve. Minhas costas gritavam cada vez que eu mudava de posição na cadeira. Era a noite do Alan. Eu queria que fosse especial.
Então, no meio do prato principal, Alan se virou para mim com um sorriso brilhante, como se tivesse acabado de resolver a fome no mundo.
— Sabe de uma coisa, Cath? Depois do jantar, que tal você levar a Zoey pra casa e colocá-la pra dormir? Eu fico aqui com todo mundo e continuo a festa.
Pisquei. — Como assim?
O sorriso dele ficou mais largo e animado. — Vamos, amor! Essa é minha última chance de comemorar de verdade antes do bebê nascer. Quero beber umas cervejas com o Jake. Talvez fumar um charuto na varanda. Ficar acordado até tarde, como nos velhos tempos.
O garfo caiu das minhas mãos e bateu no prato.
— Você quer que eu vá embora? E leve a Zoey sozinha para casa?
— É, né? — Alan deu de ombros, como se fosse perfeitamente razoável. — Você está cansada mesmo, né? Está sempre reclamando disso. E alguém tem que colocar a Zoey na cama.
Fiquei olhando para meu marido. O homem que eu amava há oito anos. Com quem construí uma vida. Que deveria ser meu parceiro.
— Alan. Estou com 39 semanas de gravidez. O bebê pode nascer a qualquer momento.
— Ah, vai, Cath. Não seja dramática!
Foi quando Grace largou o garfo e se levantou da cadeira. Olhou para o filho com um olhar que poderia congelar o fogo.
— Alan. — A voz dela estava mortalmente calma. — Você se importaria de repetir o que acabou de dizer para sua esposa?
— Eu disse…
— Não. — Grace levantou um dedo. — Palavra por palavra. O que você pediu para a Catherine fazer?
O rosto do Alan ficou vermelho. Ele olhou ao redor da mesa buscando apoio. Não encontrou nenhum.
— Pedi para ela levar a Zoey para casa para eu poder comemorar meu aniversário com vocês.
— Sua esposa grávida de 39 semanas. Que pode entrar em trabalho de parto a qualquer momento. Você quer que ela dirija sozinha com sua filha de quatro anos para você poder beber cerveja e fumar charutos.
Quando ela falou assim, ficou ainda pior.
— Mãe, não é isso…
— Sente-se, Alan.
Ele sentou.
Grace andou até ficar atrás da minha cadeira e pousou as mãos delicadamente nos meus ombros.
— Catherine está carregando seu filho. SEU filho, Alan. Ela está com nove meses de gravidez, exausta e com dor. E em vez de cuidar dela, você quer mandá-la embora para poder festejar?
— É só uma noite.
— Uma noite? E se ela entrar em trabalho de parto enquanto você está bêbado aqui? E aí? Ela chama um Uber para o hospital enquanto você está tão bêbado que não pode dirigir?
— E outra coisa. — Grace não tinha acabado. — Essa mulher foi a todas as consultas médicas sozinha. Todos os ultrassons. Todos os exames. Enquanto você trabalha nos finais de semana e sai com seus amigos.
Meus olhos encheram de lágrimas. Alguém finalmente viu. Finalmente entendeu.
— Ela vem pedindo ajuda há meses para preparar a chegada do bebê. O quartinho não está pronto. Você não sabe nada sobre parto ou nascimento, mesmo tendo uma filha pequena. Você age como se essa gravidez fosse algo que está acontecendo só com VOCÊ, e não algo que vocês estão vivendo juntos.
Kelly olhava para o prato. Jake pigarreou desconfortável. Zoey parecia confusa com a tensão dos adultos.
— Mãe, você não entende…
— Ah, eu entendo perfeitamente. Entendo que meu filho esqueceu o que significa ser um marido.
O silêncio se estendeu para sempre. O rosto do Alan ficou de vermelho para branco.
— Eu vou para casa — sussurrei.
Grace apertou meus ombros com delicadeza.
— Vou com você, querida. Você não deveria ficar sozinha esta noite.
Levantei-me da mesa o mais cuidadosamente possível. Cada movimento parecia vidro quebrado nas minhas articulações.
— Vamos, minha pequena. — Estendi a mão para Zoey. — Vamos para casa.
— O papai vai também?
Olhei para o Alan. Ele estava congelado na cadeira, olhando para o prato.
— Não, querida. O papai quer ficar aqui. E festejar.
O rosto da Zoey ficou meio triste, mas ela pegou minha mão.
Não me despedi de mais ninguém.
A viagem para casa foi silenciosa, exceto por Grace cantarolando baixinho no banco de trás e Zoey perguntando por que todos pareciam tristes.
— Às vezes os adultos têm desentendimentos, querida — consegui dizer.
— Você e o papai vão ficar bem?
Encontrei o olhar de Grace pelo espelho retrovisor. Ela me deu um pequeno sorriso triste.
— Não sei, querida. Sinceramente, não sei.
Em casa, Grace ajudou a preparar Zoey para dormir enquanto eu desabava no sofá. Minhas costas pareciam ter sido esmagadas por um martelo.
— Vovó, você vai ler pra mim? — Zoey pediu, segurando seu livro favorito.
— Claro, minha querida.
Enquanto elas liam lá em cima, fiquei na sala pensando no meu casamento. E no homem que pensei que tinha casado versus o homem que acabou de pedir para a esposa grávida sair da festa de aniversário dele.
Quando nos tornamos estranhos?
Grace voltou com duas xícaras de chá.
— Há quanto tempo ele está assim?
— Desde que fiquei grávida. Talvez antes. Já não sei mais.
O bebê chutou forte contra minhas costelas. Eu fiz uma careta e massageei o lugar onde os pezinhos pressionavam minha pele.
— Isso foi um chute forte — disse Grace, observando-me atentamente.
— Eles estão ficando mais fortes. O médico diz que pode ser a qualquer dia agora.
Ela assentiu pensativa.
— Você está com medo?
Pensei na pergunta. Há uma semana, teria dito sim. Assustada, na verdade. Mas naquela noite, algo mudou.
— Não do bebê. Estou com medo de tudo o mais. Do que vai acontecer depois. Se eu vou conseguir fazer isso sozinha.
— Você não estará sozinha, querida. Eu quis dizer o que disse antes. Você e esse bebê são minha prioridade. O que meu filho decidir fazer, você terá a mim.
Outro chute forte me fez ofegar. Essa pessoinha dentro de mim estava ficando sem espaço. Logo, muito em breve, eu terei meu filho nos braços.
— Fico pensando no que vou contar para esse bebê sobre essa noite — sussurrei. — Sobre o pai dele escolher uma festa ao invés de estar aqui.
Grace pegou minha mão.
— Você vai dizer a ele que ele foi muito desejado. Desejado desesperadamente pela mãe e pela avó. Isso é o que importa.
A casa parecia diferente então. Mais silenciosa. Como se tudo tivesse mudado em uma conversa de jantar.
Alan ainda não tinha voltado para casa. Me perguntei se ele ainda estava no apartamento da irmã, comemorando a “liberdade” dele.
O bebê chutou novamente, mais forte desta vez. Como se estivesse pronto para conhecer este mundo complicado que eu trouxe para ele.
Coloquei as duas mãos na barriga e sussurrei:
— Não sei o que seu pai está pensando agora, pequenino. Mas te prometo uma coisa: você nunca vai duvidar que é amado. Nem por um segundo.
Muito em breve, terei decisões difíceis a tomar. Sobre meu casamento. Sobre que tipo de exemplo quero dar aos meus filhos. Sobre se certos comportamentos são simplesmente imperdoáveis.
Enquanto escrevo isso agora, sou apenas uma mãe esperando seu bebê chegar. Cercada por pessoas que nos amam de verdade. E pronta para lutar pela família que quero para meus filhos, mesmo que essa família seja diferente do que eu imaginei.
O resto? Bem, a gente vai descobrir depois que o bebê nascer.







