Tenho quarenta e seis anos. Sou autônoma há doze anos e tenho uma renda estável. Nunca fui casada e não tenho filhos.
Meu novo conhecido, Anton, tem cinquenta e nove anos. Na foto de perfil, parecia impecável: terno elegante, cabelos grisalhos nas têmporas, olhar confiante. Nas mensagens, era educado, articulado, sem insinuações vulgares. Tudo parecia respeitável.

Numa noite, por curiosidade, procurei o nome dele na internet e acabei encontrando seu perfil em um site de relacionamentos. Lá estava escrito: “Procuro esposa. Idade 25–32. Tenho 59 anos.”
Fechei a página e disse a mim mesma que aquilo era problema dele. Mas, na manhã seguinte, antes do nosso encontro, fiquei pensando no que ele diria se eu perguntasse diretamente.
Anton chegou exatamente no horário. Alto, bem cuidado, terno caro, relógio elegante, perfume agradável. Sentamos em um café e conversamos sobre o projeto. Ele falava de forma clara e objetiva. A parte profissional correu muito bem.
Depois, relaxou e comentou:
“É bom trabalhar com uma mulher tão profissional. A maioria só fala bobagem.”
Sorri e agradeci.
A conversa foi, pouco a pouco, ficando mais pessoal.
“Você é casada?”, ele perguntou.
“Não.”
“A carreira atrapalhou?”
“Só não encontrei a pessoa certa.”
Ele assentiu. Disse que estava solteiro há dois anos, após o divórcio, e agora procurava um relacionamento.
“Você usa aplicativos de namoro?”, perguntei.
“Sim. Sei exatamente o que quero, então filtro com cuidado.”
Resolvi ser direta.
“Eu vi seu perfil. Você procura uma mulher com menos de trinta e dois anos. Isso é tão importante assim?”
“Sim.”
“Por quê?”
Ele tomou um gole de café e respondeu:
“Porque mulheres mais jovens são mais fáceis. Não vivem presas ao passado, não reclamam, levam a vida com mais leveza.”
Senti um desconforto.
“Então mulheres da sua idade vivem presas ao passado?”
“Na maioria dos casos, sim. Muitas reclamações, ressentimentos, insatisfação. São difíceis.”
Coloquei a colher na xícara.
“E você é fácil? Teve dois divórcios, administra um negócio cheio de problemas, também fala das suas dificuldades. E ainda tem questões de saúde.”
Ele franziu a testa.
“Eu não reclamo. Só exponho fatos.”
“Então, quando uma mulher fala dos desafios dela, isso é reclamar?”
Ele começou a se irritar.
“Eu só quero conforto.”
“Conforto significa uma garota que não discute e olha para você com admiração?”
“Você está exagerando.”
“Não. Você não quer uma mulher da sua idade porque ela seria uma parceira em igualdade.”
Ele empurrou a xícara bruscamente.
“Eu achei que você fosse sensata, mas é principista demais.”
“Nem todos os homens são assim. Mas quando um homem de cinquenta e nove anos procura mulheres de trinta e justifica dizendo que as da idade dele são ‘pesadas demais’, isso diz muito.”
Ele se levantou.
“Melhor não trabalharmos juntos. Você é confrontadora.”
“Eu apenas não concordo em descartar mulheres da minha idade de antemão.”
Ele guardou o tablet rapidamente e foi embora.
Fiquei no café e terminei meu café já frio. Paguei apenas o meu — nem um café eu aceito de homens com esse tipo de visão.
Naquela noite, em casa, pensei muito na nossa conversa. Tenho quarenta e seis anos. Tenho rugas e alguns fios brancos. Já abri dois negócios — um fracassou, o segundo deu certo.
Peguei empréstimos e os paguei. Enterrei meu pai e ajudei minha mãe a se recuperar de uma doença. Sei o que é trabalhar dezesseis horas por dia e não desistir.
Não vivo no passado. Vivo na realidade — uma realidade com problemas e vitórias.
Mas ele quer uma garota que ainda não tenha enfrentado grandes dificuldades. Que não pergunte sobre dois divórcios. Que não repare nos comprimidos para pressão à noite. Que simplesmente o admire.
Ele não quer uma mulher.
Ele quer a ilusão de que ainda é jovem e impecável.







