Deitei-me imóvel na cama do hospital, fingindo que a morfina me tinha sedado completamente, quando o meu marido se inclinou e sussurrou: «Quando ela se for, tudo será NOSSO».

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A amante dele soltou uma risadinha suave. «Mal posso esperar».
O meu estômago se contorceu—até que a enfermeira que ajustava o meu IV congelou de repente. Os olhos dela se voltaram para eles.
«Ela pode ouvir tudo o que estão dizendo», disse com firmeza.
O rosto do meu marido empalideceu. O meu permaneceu imóvel. Naquele momento, percebi exatamente o que estava acontecendo—e o que precisava fazer em seguida.

Mantive as pálpebras pesadas e a respiração superficial, fazendo o papel de alguém totalmente sedada. O quarto cheirava a antisséptico e algo mais frio—medo. Ethan Carter estava à minha direita, impecável, com a expressão de um homem que ensaia o luto em vez de senti-lo. À minha esquerda estava Sloane, a «colega» que ele sempre desprezava como inofensiva—cabelo perfeito, lábios brilhantes, demasiado relaxada para um quarto de hospital.

Ethan inclinou-se até que os lábios estivessem perto do meu ouvido.
«Quando ela se for,» murmurou, «tudo será nosso».

Sloane riu baixinho, como se estivessem planejando uma escapadela no fim de semana.

Não me mexi. Deixei-os acreditar que eu já estava desaparecendo.

A enfermeira—Nora Patel, segundo o crachá—parou a meio ajuste. O olhar dela passou deles para mim.
«Pacientes podem estar conscientes mesmo sob sedação,» disse friamente. «Devem ter muito cuidado com o que dizem».

Ethan endireitou-se rápido demais. «O quê?» explodiu.
Nora não piscou. «Acontece mais vezes do que se pensa».

O sorriso de Sloane vacilou, depois voltou ao normal. «Ele está apenas stressado», disse docemente, tocando o braço de Ethan.

Quando a enfermeira saiu, Ethan baixou a voz. «Se está a fingir, Ava, pare. Está confusa. Não entende o que está a acontecer».

Sloane aproximou-se, perfume intenso no ar. «Descanse», sussurrou. «Vai sentir-se melhor em breve».

Ethan afastou-se e pegou no telefone. «Está quase pronto», disse baixinho. «A papelada está feita. Uma vez declarada… agimos».

O meu coração bateu tão forte que tive a certeza de que o monitor me denunciaria. Isto não era luto. Era um plano.

Ele virou-se, olhos frios. «Se me amas, Ava», disse suavemente, «deixa ir».

A mão dele deslizou debaixo do cobertor, segurando meu pulso—não gentilmente. Testando.
Então senti: pressão na linha do IV, um leve movimento, a picada de algo a ser empurrado.

«Boa noite», sussurrou.

A escuridão invadiu—não sono, mas algo mais pesado.

Lutei como se estivesse a afogar-me. Vozes confundidas, passos apressados. Uma pontada aguda atravessou a névoa quando algo frio entrou na minha veia. Abri os olhos o suficiente para ver Nora a entrar furiosa.

«O que lhe deste?» exigiu.

Ethan recuou, toda inocência. «Ela estava com dor. Eu estava a ajudar».

«Não tocas no IV de um paciente», disse Nora firmemente. «Afasta-te. Agora».

Ela inclinou-se para mim. «Ava, se me podes ouvir, aperta os meus dedos».

Fiz—fraco, quase impercetível, mas suficiente.

Nora não hesitou. «Segurança. Quarto 412. Agora».

A expressão de Ethan mudou—não medo, mas cálculo.

Um médico chegou e verificou o gráfico. «Esta dose não está prescrita», disse. «Faça um teste toxicológico. Tranque o prontuário».

Nora perguntou se havia alguém em quem eu confiasse.
Um nome atravessou a névoa. «Grace», sussurrei.

Ethan avançou. «Não precisas de advogados—»
A segurança bloqueou-o.

Grace chegou minutos depois, firme e inflexível. «Sou a advogada dela», disse. «O que aconteceu?»

Enquanto Nora explicava, a expressão de Grace endureceu. Então virou-se para Ethan.
«Aconselho-te a parar de falar».

O investigador dela revelou a verdade que Ethan nunca esperou: eu não era apenas herdeira. Eu era a fiduciária. Se eu morresse em circunstâncias suspeitas, o controle passaria para outra pessoa—nomeada há muito tempo.

Ethan empalideceu.

O médico confirmou o sedativo. A segurança aproximou-se.

Pela primeira vez em anos, o medo deu lugar a algo mais forte—controle.

«Estavas a planear a minha morte», disse rouca.

Ethan tentou falar. Grace cortou-o.

Enquanto o levavam, olhou para mim—furioso, desesperado.

Encarei-o. «Quase venceste», sussurrei.
Depois acrescentei: «Quase».

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