A primeira coisa que notei foi que ela não bateu.
As minhas portas da frente — de mogno maciço, esculpidas à mão, mais antigas do que a rapariga que tentava forçá-las — abriram-se com a ajuda da minha governanta Elena, que mal conseguiu dizer: “Senhora, ela insiste—” antes de a mulher de saltos creme atravessar o hall de mármore como se já fosse dona do lugar.

Não devia ter mais de 26 anos, cabelo escuro brilhante, maçãs do rosto marcadas e uma mala de marca pendurada no pulso como um troféu. Amber Vale. A nova esposa do meu ex-marido.
Na mão, segurava um envelope grosso.
Atrás dela estavam dois homens de fatos baratos e um xerife local que parecia preferir não estar ali.
Amber sorriu para mim como se estivéssemos a encontrar-nos para almoçar, e não como se tivesse vindo tirar-me a casa.
“Naomi”, disse ela, arrastando o meu nome com falsa doçura. “É melhor sentares-te.”
Não me movi.
“Entraste na minha casa sem permissão. Diz o que vieste dizer.”
O sorriso dela aumentou.
“Na verdade, esta mansão agora pertence à empresa do meu pai.”







