## PARTE 1
Meu filho de doze anos deu o guarda-chuva do pai falecido a uma estranha grávida pega pela chuva — e na manhã seguinte o nosso jardim estava cheio de quarenta e sete guarda-chuvas, cada um com uma caixa numerada que fez meu coração parar.

Meu filho havia entregue o último presente que seu pai, Darren, tinha comprado para ele, e três manhãs depois quarenta e sete guarda-chuvas abertos apareceram no nosso gramado da frente.
—
Tudo começou na semana anterior, quando Eli chegou em casa completamente encharcado.
Eu tinha aberto a porta com um pano de prato no ombro, já irritada porque a farmácia tinha ligado novamente sobre uma receita ainda no nome do meu marido falecido.
Então eu o vi.
A água escorria do cabelo dele. A camiseta estava colada ao corpo, e seus lábios tremiam.
— Eli — eu disse, puxando-o para dentro. — Onde está seu guarda-chuva, querido?
Ele me olhou e meu estômago se apertou.
Eu rezei para que não fosse o azul. Por favor, não o azul.
— Ele sumiu, mãe — sussurrou.
O guarda-chuva azul não era caro. Tinha cabo de madeira, um botão prateado que emperrava, e a letra torta de Darren na alça, porque Eli sempre perdia tudo quando era pequeno.
Mas aquele guarda-chuva ele nunca perdia.
Darren o tinha comprado dois meses antes de a doença levá-lo embora. Desde então, Eli o levava para todos os lugares.
— O que quer dizer “sumiu”? — perguntei.
Eli engoliu em seco.
— Desculpa, mãe. Eu dei para alguém.
— Você deu? E…
Ele abaixou a cabeça.
Por um instante, eu não fui gentil. Não fui orgulhosa. Eu era apenas uma viúva exausta olhando mais um espaço vazio deixado pelo homem que não estava mais ali.
— Eli… isso era do seu pai.
— Eu sei.
— Então por que você faria isso?
— Tinha uma mulher no ponto de ônibus — ele disse rápido. — Ela estava grávida, mãe. Muito grávida. Estava chorando, molhada, e ninguém ajudava.
Eu só consegui encará-lo.
— Então você deu sua jaqueta também?
Ele olhou para a camiseta encharcada.
— Ela estava com frio. E precisava cuidar do bebê. Se eu ficar doente, você faz sopa pra mim e eu fico bem.
Levei a mão à boca. Como eu poderia ficar brava?
— Eli…
— Eu não queria perder — ele disse. — Eu prometo. Mas o papai sempre dizia que não se espera para ajudar.
Essas palavras tiraram toda a minha raiva.
Darren dizia isso o tempo todo.
“Não se espera para ajudar alguém que precisa, Carina.”
Eu abracei Eli com força.
— Seu pai teria orgulho de você.
Ele ficou quieto.
— E você?
Aquilo quase me quebrou.
— Sim — eu disse. — Eu também tenho orgulho de você.
—
Naquela noite, toquei o gancho vazio ao lado da porta. Ali ficavam as chaves de Darren, seu casaco, seu chapéu… e depois o guarda-chuva de Eli.
— Eu sei que você teria orgulho dele — sussurrei. — Mas eu ainda queria aquele guarda-chuva de volta.
—
Três manhãs depois, abri a porta para pegar o jornal e deixei minha caneca cair.
Ela se despedaçou na varanda.
Mas eu mal notei.
O jardim inteiro estava cheio de guarda-chuvas abertos.
Quarenta e sete.
Organizados em fileiras perfeitas, desde a caixa de correio até a árvore de bordo.
Debaixo de cada guarda-chuva havia uma pequena caixa branca com um número pintado.
De 1 a 47.
— Mãe? — chamou Eli atrás de mim.
—
Então vi os vizinhos. Com celulares na mão. Filmando.
— Por favor, parem! — gritei. — Ele é uma criança!
—
O primeiro guarda-chuva era azul.
Na caixa estava escrito: “Para Eli”.
Eu a abri.
E gritei.
Dentro estava o guarda-chuva do meu marido.
—
— É do papai — sussurrou Eli.
— É.
— Como isso foi parar aqui?
—
Dentro havia um bilhete.
“Eli,
Eu prometi que devolveria. Não sabia que ele voltaria assim.
Obrigada por me proteger quando me senti invisível.
Jenelle.”







