“Seu pai morreu há um ano, Finnley, e esta casa não é mais sua”, disse Reagan sem sequer olhar para mim. “Então não faça uma cena e simplesmente vá embora.”
Eu tinha acabado de sair da prisão de Oakwood depois de cumprir três anos por um roubo que eu não cometi. Minhas mãos tremiam enquanto segurava as alças de uma mochila velha, e as roupas que eu vestia tinham sido emprestadas por outra pessoa. Finalmente, eu estava diante da casa onde cresci.

Durante 1.095 noites, imaginei meu pai abrindo aquela porta. Em todas as versões que eu criava na minha mente, ele estava sentado em sua velha poltrona de couro, olhando para mim e dizendo:
“Continue firme, filho. A verdade sempre encontra um caminho para aparecer.”
Eu precisava acreditar que Camden Dennis ainda estava vivo.
Mas no momento em que entrei no bairro de Silver Lake, nada parecia familiar.
A casa havia sido pintada em um tom caro de cinza, e os amados arbustos de rosas do meu pai tinham sido arrancados. Um grande SUV branco de luxo e um carro vermelho brilhante ocupavam a entrada. Até a porta de entrada havia mudado. A antiga porta tinha desaparecido, substituída por uma porta preta reluzente com uma fechadura digital.
A estrutura ainda era reconhecível, mas todo vestígio de calor havia desaparecido.
Bati na porta com força.
Não como um visitante.
Como um filho voltando para casa.
Reagan abriu a porta usando um vestido verde e brincos de pérola. Minha madrasta me examinou como se eu fosse apenas sujeira deixada no chão novo da casa dela.
“Você saiu mais cedo do que eu esperava”, disse ela friamente.
“Onde está meu pai?”, perguntei.
Ela soltou um suspiro lento.
“Seu pai morreu há um ano, Finnley. Câncer. Foi rápido e doloroso. Agora acabou.”
O chão pareceu desaparecer sob meus pés.
“E ninguém me contou? Ninguém pediu ao presídio para me deixar vê-lo?”
Um pequeno sorriso cruel apareceu nos lábios de Reagan.
“Finnley, você foi para a prisão por roubar a própria empresa do seu pai. Você realmente acha que ele queria que você aparecesse e arruinasse o funeral dele?”
“Eu não roubei nada dele.”
“Foi isso que você disse durante o julgamento, mas ninguém acreditou em você.”
Tentei olhar para dentro da casa, passando por ela.
Todas as fotos da família tinham desaparecido. O retrato da minha mãe também. O velho chapéu do meu pai havia sumido. Os cômodos estavam cheios de móveis novos e caros e do cheiro artificial de um aromatizador barato.
“Deixe-me entrar”, implorei. “Eu só quero ver o quarto dele.”
“O quarto dele não existe mais, Finnley. Eu reformei tudo.”
Naquele momento, Carter apareceu no topo da escada e começou a descer.
Meu meio-irmão tinha passado anos enterrado em dívidas de jogos, mas sorria como se tivesse esperado a vida inteira por aquele momento.
“Olha só quem apareceu”, disse Carter com desprezo. “O criminoso voltou procurando o dinheiro dele.”
Tentei avançar, mas Reagan imediatamente bloqueou a entrada.
“Se você colocar os pés nesta propriedade novamente, eu vou chamar a polícia”, avisou. “Com o seu histórico, você não quer brincar comigo.”
A porta bateu na minha cara, seguida pelo clique agudo da fechadura.
Eu não gritei.
Eu não implorei.
Eu me virei e caminhei até o Cemitério Pinecrest.
Meu pai sempre dizia que queria ser enterrado ao lado da minha mãe. Eu precisava ver o nome dele gravado na pedra antes de conseguir aceitar que ele realmente tinha partido.
Perto de um grupo de árvores grandes, um velho jardineiro me parou.
“Quem você está procurando, rapaz?”, perguntou.
“Camden Dennis”, respondi. “A esposa dele disse que ele está enterrado aqui.”
O homem idoso me observou com tristeza nos olhos.
“Você é Finnley, não é?”
Um frio percorreu meu peito.
“Como o senhor sabe meu nome?”
O jardineiro olhou em direção ao portão principal antes de abaixar a voz.
“Porque seu pai pediu para eu entregar isto a você caso algum dia viesse procurá-lo.”
Ele colocou a mão dentro do casaco e tirou um envelope amarelo.
Dentro havia uma carta e uma pequena chave com as palavras:
**UNIDADE DE ARMAZENAMENTO 108**
“Mas onde meu pai está enterrado?”, perguntei.
O velho engoliu em seco.
“Não aqui, filho. E se você quer saber a verdadeira história, não volte para aquela mulher ainda.”
Abri a carta imediatamente.
A primeira frase dizia:
**Filho, se você está lendo isso, significa que Reagan já começou a mentir para você.**
Foi naquele momento que percebi que a morte do meu pai não era o fim do pesadelo.
Era o começo de algo muito pior.







